Seca continua castigando os sertanejos

A seca que perdura no interior do Rio Grande do Norte está prejudicando outras áreas de produção, além da agricultura e pecuária. Em Santana do Matos, município distante 191 quilômetros de Natal, os produtores de leite sofrem com a mortandade das vacas, que está diminuindo a quantidade da produção e gerando prejuízos. Neste final de semana, uma equipe da Federação da Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Norte (Faern) realizou uma expedição a seis municípios das regiões Central, Oeste e Seridó do estado para constatar a gravidade da situação. O G1 acompanhou o trabalho.

O lacticultor Antônio Arruda da Cunha, o ‘Antônio da Volta’, trabalha desde os sete anos de idade na zona rural de Santana do Matos. Ele afirma não lembrar de uma seca mais castigante do que a que está ocorrendo. Antônio é um dos maiores produtores de leite do Rio Grande do Norte. Ele é dono da Fazenda Tupá, propriedade que possui 1.176 hectares.

Antônio da Volta contou ao G1 que, nos últimos três meses, a produção dele diminuiu em 2.500 litros por dia. “Eu tinha uma produção de 8.500 litros de leite por dia, agora estou produzindo 6.000 litros”, afirmou o lacticultor. Para Antônio, somente 10 anos de inverno regular poderiam ajudá-lo a recuperar as perdas. Ele relatou que, inicialmente, tentou vender parte do rebanho para aplicar o dinheiro em seu negócio, no entanto o montante não foi suficiente.

Sem perspectiva de chuva e com o gado morrendo, Antônio da Volta decidiu procurar financiamentos bancários. O auxílio de amigos também foi uma alternativa para conseguir dinheiro na tentativa de reerguer o negócio. Como as chuvas não vieram, as dívidas se acumularam. O produtor afirmou que, hoje, deve mais de R$ 1 milhão em empréstimos.

Antônio da Volta possui 1.500 cabeças de gado e 1.500 outros animais, entre ovelhas e cabras. Ele disse que há dois anos a quantidade representava o dobro. “Se não chover, vou vender tudo”, previu.

Jean Souza / G1RN em 25/02/2013

 

por Caboré Locações Publicado em Saúde

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