Nomeado por Fernando Henrique Cardoso em 2002 e um dos mais antigos ministros do Supremo Tribunal Federal, Mendes é também um jurista de currículo respeitado: tem mestrado e doutorado na Alemanha, mais de 20 livros publicados e uma carreira que inclui períodos como procurador da República, nos anos 1980, e advogado-geral da União no governo FHC, de 2000 a 2002.
É, também, um dos ministros mais polêmicos, tomando posições que ora agradam ora incomodam diferentes grupos ideológicos.
Uma das controvérsias mais recentes diz respeito justamente à notória proximidade de Mendes com Michel Temer, o que gerou discussões a respeito de um possível conflito de interesses no julgamento do TSE.
Voz política
Em janeiro, por exemplo, Mendes viajou a Portugal junto no avião que levava a comitiva presidencial para o funeral do ex-presidente português Mário Soares.
Em março, Temer e outros políticos participaram de jantar oferecido por Gilmar Mendes em sua casa em Brasília.
Mendes, no entanto, negou diversas vezes que essa proximidade tivesse influência no julgamento.
“Vivemos essa realidade (de proximidade) em Brasília. Temos relações institucionais. Converso com todas as forças políticas. Gosto da vida política. Não há conflito com o julgamento no TSE”, disse à GloboNews em janeiro.
Mendes é um dos ministros do Supremo que mais se expressam publicamente sobre política.
Durante o governo de Dilma Rousseff, Mendes foi um duro crítico do PT, a quem acusou, em 2015, de “ter um plano perfeito” para se “eternizar no poder” – plano este “estragado” pela operação Lava Jato.